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quinta-feira, 4 de dezembro de 2008
acabando com os descartes, o mercado nacional de gerenciamento de resíduos industriais cresce a uma taxa média de 10% ao ano. Mais alternativas de aterros especiais e de co-processamento em fornos de cimento, além de investimentos em incineradores (ver QD-384, pág.36), criam as condições adequadas para o setor secundário manter seu crescimento no futuro sem precisar jogar resíduo perigoso em qualquer terreno baldio.
O aterro foi construído na parte mais alta do site, no topo de um morro cujo lençol freático fica a mais de 30 metros de profundidade. De acordo com o superintendente comercial da Sasa, Breno Palma, toda a concepção do projeto, embora comum ao padrão dos mais de 300 aterros de propriedade da Waste Management pelo mundo, é inédita no País. Diferente dos demais em operação, não utiliza várias valas para o armazenamento dos resíduos, mas uma imensa e única célula. “Essa disposição aproveita melhor o espaço do terreno, pois deixa-se de perder as áreas entre cada vala”, explica Palma.
Ataque Microbiano Remedias Àreas Contaminadas
Longe de ser enredo de um filme B de ficção científica, o incremento em laboratório de bactérias e
fungos, com o fim de aumentar seus poderes de biodegradação, já é uma realidade no mundo e começa a se desenvolver com rapidez no Brasil. Usadas em estações de tratamento de efluentes para aperfeiçoar a etapa biológica, mas também indicadas para projetos de biorremediação de solos contaminados, essas colônias microbianas são cada vez mais comercializadas. Principalmente empresas importadoras, como Micro-Bac, Bio-Brasil e BioClean, vendem esses aditivos biológicos sobretudo para uso em tratamento de efluentes, de forma crescente, desde o início dos anos 90. Alguns fatores tornam as perspectivas desse segmento ainda mais promissoras. Para começar, o País já conta com produção local das formulações de microrganismos. Uma empresa de Sorocaba-SP (Hábil Química), depois de dois anos de estudos, iniciou-se nesse mercado em 2000, ofertando produtos a custos menores do que os de seus concorrentes importadores. Outro aspecto de suma importância é a pesquisa nacional, em instituições renomadas como o Instituto de Botânica de São Paulo e a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), estar desenvolvendo projetos de biorremediação de solos com bactérias e fungos. Essas pesquisas resultarão no futuro em licenciamentos tecnológicos para outras empresas nacionais iniciarem novas produções.Na verdade, tanto a produção como a pesquisa nacional demonstram apenas um esforço em reduzir o atraso do Brasil em comparação aos países desenvolvidos. Não há muito como esperar muitas inovações locais, visto o elevado grau de desenvolvimento dessas tecnologias no mundo. Empresas americanas e européias produzem dessas formulações há mais de 30 anos e, pelo lado da pesquisa, a literatura científica internacional já conhece as famílias de microrganismos e os principais poluentes orgânicos e alguns inorgânicos que elas podem degradar. Portanto, o mérito das iniciativas brasileiras está mais na nacionalização tecnológica.Aditivos nacionais – O caminho percorrido pela Hábil Química para constituir sua linha de aditivos demonstra bem esse esforço nacional. Mesmo existindo em livros de microbiologia boa parte das informações necessárias para se saber qual bactéria ou fungo tem facilidade para degradar determinado tipo de contaminante, a empresa precisou de paciência para chegar às suas formulações de bactérias, fungos e também protozoários. Isso porque o know-how de produção e de aplicação dos aditivos depende muito de uma experiência de campo e de pesquisa aplicada que a empresa não possuía. Grandes empresas estrangeiras, como as americanas Micro-Bac e BioSystems, detêm essa massa crítica, mas logicamente a escondem a sete chaves.
Nesse aspecto, ninguém melhor do que a gerente de meio ambiente da Hábil Química, Gilza Minatel, para confirmar essa dificuldade em conhecer os principais segredos tecnológicos. Ex-técnica da também ex-representante da Micro-Bac no Brasil (agora a multinacional possui subsidiária brasileira), Gilza diz que a empresa americana tinha muita relutância em revelar os principais detalhes das formulações para os técnicos da representação. “Nós apenas aplicávamos o grade específico para o tipo de contaminante orgânico do efluente e sequer sabíamos quais eram as cepas contidas na formulação”, informa. Isso, segundo ela, dificultava a solução de possíveis problemas futuros de aplicação.
Gilza selecionou microrganismos locaisEssa desconfiança da Micro-Bac, porém, não desanimou os planos da bióloga. Após sair da empresa na metade da década de 90, juntou seu conhecimento de aplicação adquirido por esforço próprio com incursões em pesquisas em universidades, para começar a montar a base da divisão de biotecnologia da Hábil Química em 1998. Além de se valer do conhecimento científico existente de microrganismos, a técnica partiu para selecionamentos contínuos em laboratório a fim de separar as melhores bactérias, fungos ou protozoários nacionais para serem multiplicados e depois aplicados.
O procedimento começa com a coleta de amostras dos efluentes para identificação, em laboratório externo, de todos os microrganismos presentes. A etapa seguinte será solicitar o isolamento das colônias degradadoras. De forma geral, apenas 10% terá capacidade de mineralização, ou seja, de degradação total, ao utilizar o poluente como fonte de carbono e energia e a partir daí assimilando-o até transformá-lo em gás carbônico, água e sais. Segundo Gilza Minatel, as selecionadas são cepas facultativas (anaeróbicas e aeróbicas) e já conhecidas na literatura como degradadoras dos contaminantes orgânicos.
A seguir, no laboratório da Hábil são promovidos ensaios para conhecer os mais efetivos na metabolização, sobrando cerca de dez a 18 cepas para cada formulação. Faz parte desse processo saber quais nutrientes devem ser agregados para manter as cepas em equilíbrio e, sobretudo, a bioaumentação, uma fase de multiplicação das bactérias com nutrição em pés de cuba. Depois de multiplicadas, elas são liofilizadas, para se manterem em dormência, e acrescentadas a nutrientes, sacarose e nitrogênio (meios de propagação). Seu veículo para a aplicação é o amido de milho, onde as cepas ficam “adormecidas” e apenas são ativadas em contato com a água.
As formulações, baseadas principalmente nos gêneros Mycobacterium, Anhtrobacter, Nocardia, Bacillus e Aspergillus, estão sendo aplicadas para remoção de orgânicos em efluentes industriais e em caixas de gordura, fossas sépticas e esgotos de restaurantes, shoppings e prédios. Na aplicação em estações são dosadas em lagoas de aeração ou para incrementar lodo ativado no tratamento biológico. De acordo com a gerente da Hábil, os produtos aumentam a eficiência de depuração orgânica para até 97%.
Com clientes como Ambev, Sadia, Seara, OPP e Laboratório White, em um ano a empresa conseguiu atingir um patamar de vendas de 6 t/mês desses agentes biológicos, faturando em sua divisão de biotecnologia R$ 400 mil mensais. Para Gilza, a razão principal do rápido sucesso é o maior rendimento de seus produtos em comparação com similares importados. Mesmo dentro do preço médio do mercado de R$ 90,00 o quilo, a gerente considera seus aditivos até vinte vezes mais concentrados de mircrorganismos.
PQU USA ÁGUA FLUVIAL NA TORREE ECONOMIZA US$ 2,7 MI POR ANO
PROJETO PERMITE À PETROQUÍMICA UNIÃO, DE MAUÁ-SP,UTILIZAR APENAS O POLUÍDO RIO TAMANDUATEÍ PARA ABASTECER SUA TORRE DE RESFRIAMENTO, E DEIXAR DE PAGAR PELA CARA ÁGUA MUNICIPAL
O principal sistema de resfriamento instalado na Petroquímica União (PqU), em Mauá-SP, apresentava diversos problemas associados ao uso de água de reposição de má qualidade e em combinação com as condições operacionais críticas dos trocadores de calor. As fontes de água de reposição disponíveis para esta instalação eram água municipal e fluvial. A qualidade da água municipal é excelente, sendo a sua maior desvantagem o alto custo de US$2,95/m3. Embora o custo da água fluvial (Rio Tamanduateí) seja mais baixo, US$0,32/m3, sua qualidade é muito inferior do ponto de vista de corrosão, deposição e fouling (incrustração) microbiológico. A água fluvial passava por processo de filtração e cloração, entretanto, continuava a apresentar um alto nível de amônia, matéria orgânica, turbidez e sólidos suspensos.
Tabela 1 - Composição da água fluvial
Além disso, são encontrados vários tipos de microrganismos na água do Rio, inclusive bactérias anaeróbicas. A metalurgia do sistema é constituída por cobre, latão admiralty, cobre-níquel e aço carbono, possuindo trocadores com água tanto do lado casco quanto do lado tubo. Em conseqüência da má qualidade da água fluvial e das severas condições operacionais dos trocadores com baixa vazão de água e alta temperatura de película, surgiam vários problemas, quando o sistema de resfriamento não era tratado de maneira adequada. Tal como documentado, a planta apresentou uma rápida e intensa perda de transferência térmica nos trocadores de baixa vazão, parada de trocadores de calor individuais, ou de produção inteiras, além de substituição freqüente dos feixes de troca térmica. Afora as condições operacionais desfavoráveis, o sistema também apresentava vazamentos de processo de hidrocarbonetos, com sensível impacto sobre o programa de tratamento em termos de manutenção de um controle eficaz da corrosão, da deposição e dos microrganismos. A solução para esses problemas, ou seja, a aplicação no sistema de um programa de limpeza em linha, englobou uma tecnologia de produtos resistentes aos halógenos, à base de AEC/HRA/HPSI (Dianodic Plus, da BetzDearborn), que trouxe os seguintes benefícios à unidade da PqU:– Economia de US$2,7 milhões por ano através da utilização de 100% de água fluvial como reposição na torre de resfriamento, ao invés da mistura de água municipal/fluvial.– Operação da torre de resfriamento com ciclos maiores, ou seja, seis ciclos. Isto levou a uma redução de 28 m3/h na descarga da torre, minimizando o impacto ambiental e diminuindo os custos do programa de tratamento.– Redução das taxas de corrosão em aço carbono e cobre/liga, ou seja, menor que 2 mpy e 0.3 mpy, respectivamente, levando a um prolongamento da vida útil dos equipamentos e redução dos custos operacionais e de manutenção.– Aumento da confiabilidade operacional das unidades de processo. Com base nos dados coletados até o presente, será possível alcançar a meta de cinco anos de campanha.Também procuramos deixar claras as economias e os resultados do programa, o qual dividimos em duas fases: Fase I – A primeira fase do programa foi a limpeza em linha e foi realizado de setembro a novembro de 1998. Face a deficiência da transferência de calor decorrente de problemas de corrosão, deposição e contaminação microbiológica, o índice operacional da planta apresentava-se inferior do que a sua capacidade projetada.
Tabela 3 - Trocadores de calor - dados operacionais
Nesta época, a torre de resfriamento operava com 4,5 ciclos e a água de reposição consistia de uma mistura de 70% de água fluvial e 30% de água municipal. A monitoração do sistema indicava que a contagem microbiológica, o nível de bactérias redutoras de sulfato e as taxas de corrosão eram consistentemente elevados. Em conseqüência, alguns dos trocadores de calor críticos exigiam limpezas freqüentes. Foi implantado, em setembro de 1998, um programa de limpeza em linha para solucionar estes problemas e otimizar a taxa de produção. Foram utilizados monitoramentos exclusivos e representativos para acompanhar a evolução do programa de limpeza em linha.
Uma das primeiras empresas de capital nacional criada com a finalidade de fabricar insumos químicos para a indústria de curtume foi a MK Química do Brasil, com sede em Portão, no Rio Grande do Sul, a 45 km de Porto Alegre, fundada em 1979. Competindo com pesos pesados da química mundial como a Bayer, a Basf e a antiga Sandoz, a empresa surgiu voltada à produção, desenvolvimento e distribuição de produtos químicos para diversas áreas da atividade industrial.Hoje, exporta para os cinco continentes, sendo que 70% de seus clientes no exterior estão no México, Estados Unidos e China. A produção da MK é de 1.600 toneladas/mês na linha couro, embora a capacidade instalada seja de 2.500 toneladas/mês. Ainda que atue com foco principal para a indústria de couro, a MK estendeu sua produção para a área de tintas e revestimentos, entre outras.

Teoria ddo Caos 2
No primeiro artigo sobre a Teoria do Caos, apresentou-se o histórico desta nova ciência, que nasceu na meteorologia e acabou sendo base para uma análise "caótica" de outras áreas da ciência (economia, sociologia, ciências políticas etc.).No âmbito da ciência clássica, o determinismo imperava: o relógio simbolizava a ordem do universo. Tudo podia ser previsto, bastava que fossem encontradas leis de funcionamento.

O Demônio de LaplaceEsse tipo de visão de mundo ganhou o nome metafórico de "Demônio de Laplace". Este cientista francês havia proposto que, se uma entidade soubesse todos os dados de cada partícula do universo e fosse capaz de fazer os cálculos necessários, poderia prever o seu funcionamento com perfeição.Assim, este "demônio" (quem sabe um super-hipercomputador?) daria conta de explicar todo o passado o presente e o futuro - do universo e da humanidade. Por exemplo, na sociologia, se a mecânica de uma sociedade pudesse ser entendida, o funcionamento desta mesma sociedade poderia ser previsto.No plano da física, todas as equações utilizadas seriam determinísticas. Qualquer equação que determinasse um fenômeno teria sempre um resultado específico. Todas as diferenças que se notassem em relação à realidade seriam fruto da imprecisão nos cálculos ou na sua formulação. Equações não-linearesConforme se viu no artigo acima citado, o meteorologista Lorenz verificou que certas imprecisões não eram causadas pela imprecisão nos cálculos ou na teoria, mas nas próprias resoluções das equações não-lineares.Lembramos que as simplificações - do ponto de vista estritamente teórico - podem levar as formulações não exatas. Mas elas têm o seu valor, se pensarmos em termos didáticos.Vamos a um exemplo:Imagine a seguinte fórmula: ax2 + bx + c = 0. Se a, b e c são constantes, a sua solução já é conhecida, ou seja, ela possui duas soluções válidas:


Mas, se a, b e c fossem funções do tempo, para cada instante poderiam ser determinados outros valores de a, b e c e resolvido nas equações acima.Isso é uma equação não-linear. Sua solução não poderia ser expressa por uma nova função no tempo:


Vamos supor que a equação acima represente, por exemplo, a quantidade de chuva que se precipitará em um certo lugar em função do tempo. E que a parcela a(t) seja a influência da pressão e vento, a parcela b(t) seja a influência da umidade relativa do ar e a parcela c(t) a da temperatura.Ora, sempre que esta equação for resolvida para 10 dias, o resultado será o mesmo. Vamos supor que 50 mm de chuva.Até aqui tudo normal e "previsível". Mas nós sabemos que não chove 50 mm a cada 10 dias em nenhum lugar do mundo. O que deve ser mudado então nesse raciocínio? Resposta: as condições iniciais.Ou seja, imagine que se queira a previsão do tempo para daqui a 10 dias. Colocam-se as condições de pressão e vento, umidade do ar e temperatura de hoje e obtém-se o resultado.Os resultados com as equações não lineares provaram ser muito melhores, em termos de modelo, do que os lineares.
O caos
O que é então o caos? O que Lorenz descobriu é que se, em vez de colocar, por exemplo, a temperatura de hoje de 15° C ele colocasse 15,000000001° C as diferenças nos resultados seriam imensas, podendo ir de 50 mm para 5 mm, e que se fosse de 15,000000002° C o resultado poderia ser 70 mm.Veja que isso não tem nada a ver com a precisão dos cálculos ou da formulação. É uma característica deste tipo de equação (não-linear).Essa instabilidade nas equações-não lineares é chamada de caos.Note-se também que, no exemplo acima, as divergências aparecem para resultados cada vez mais distantes das condições iniciais.
O Efeito Borboleta
É aí que chegamos ao efeito borboleta: qualquer pequena variação no fator a(t), como o bater de asas de uma borboleta, poderia causar grandes variações de precipitação nas soluções finais.
Escrito por Carlos Alberto Campagner
Teoria do Caos
Não é sempre que podemos assistir ao nascimento de uma nova ciência. No entanto, isso aconteceu em 1955, quando um cientista chamado , com 38 anos de idade, começou a trabalhar no corpo docente da Boston Tech (hoje chamada de MIT - Instituto de Tecnologia de Massachusetts). O departamento era o de Meteorologia, Edward Norton Lorenz, pioneiro da teoria do caosque acabava de iniciar um projeto de previsão estatística do tempo.Nos Estados Unidos, a previsão do tempo é uma verdadeira mania nacional, e os comentaristas do tempo nos noticiários da TV são venerados como astros da telinha. Logicamente, a previsão do tempo tem um papel muito importante, não só para a vida do cidadão comum, mas principalmente para a agricultura e os negócios que giram em torno dela. É essencial saber com antecedência o que vem por aí: tempestades, furacões, etc.Previsão linear
Condições iniciais e resultados
Efeito borboleta
Conseqüências inesperadas
De volta à meteorologia
